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Granjinha/Cando

e Vale de Anta... factos, estórias e história.

Granjinha/Cando

e Vale de Anta... factos, estórias e história.

Palavras de ontem...no tempo presente!

10
Ago09

 


 

 

 

GRANJINHA, “a Ilha dos Lagartos

 

 

À entrada de Chaves, quem desce o Outeiro Jusão, vê, à sua esquerda, um monte onde sobressai uma velha cabina transformadora de luz eléctrica, sita na quinta da D. Rita.

Depois da recta já se percebe a contra – encosta desse monte, com declínio muito suave e com arborização mais verdejante e cuidada, através da qual se nota a espreitadela de algumas casas.

É a “ Ilha dos Lagartos “!

Do centro da cidade de Chaves dista uns escassos 4 kms.

Acessos tem muitos, mas... só para carros de bois.

O limite da cidade fica bem pertinho, aí a 1 km., o Bairro das Casas – dos - Montes.

Até aqui chegam os telefones e a luz eléctrica. Para a “ ilha “... parece estar estabelecida no Monte da Forca uma barreira à civilização.

Mas que importa isso se se trata de uma “ ilha “, - da “ Ilha dos Lagartos “?

Importa, sim!

A “ Ilha dos Lagartos “ é habitada!

Lá existem homens, mulheres e crianças.

Essa “ ilha “ é um verdadeiro jardim.

Lindos quintais, bem cuidados, bosques viçosos, água boa como não há pelos arredores.

Outrora, os encantos e ares dessa “ ilha “ eram apreciados pelas « pessoas da cidade ».

Ainda me recordo de ver subir « as carvalhas » o sr. Zé Valtelhas.....

Beber a água da “ pipa”, encher os pulmões com aqueles ares, saborear todo o prazer do perfume emanado da natureza e deleitar a vista pela beleza da “ Veiga “ ou dos campos de chamiça e carqueja era o que levava, outrora, a “ gente da cidade “ a visitar a “ ilha “.

         Além desses motivos naturais de interesse tem a “ ilha “ ainda outros para os que se interessam pela arqueologia: a capela de S. Sebastião, em granito, com esfinges à entrada e, a desenharem o arco, animais e ramos de árvores em relevo.

A “ ilha “ é minada.

Apareceram muitos vestígios de outras civilizações, tais como artigos de cerâmica.

Os “ ilhéus “ de mais idade podem comprová-lo.

Os arqueólogos talvez tivessem nessa “ ilha “ uma fonte de riqueza de investigação e achados.

Para aqueles que desejam o silêncio, que necessitam de desintoxicar-se do ambiente das cidades, dos ruídos das fábricas e dos escritórios, tem a “ ilha “ esse maravilhoso sossego.

Passem pelo Vale Côvo, a Sobreira, o Vale Coelho, o Vale da Cabra, a «aberta da tia Aurora», a Lameira ou a Ribeira.

Mas a “ ilha “ está esquecida !

Esquecida porque ainda não abriram uma estrada para lá.

É a falta dessa estrada que condena esse rincão a uma incógnita desmerecida.

Do Matadouro, da Ribeira ou das Casas- dos –Montes à “ ilha “ pouco mais será que 1 km..

Circundando a “ ilha “, passando pelo Matadouro e a Ribeira passa a E.N. Chaves – Braga.

Quanto não representa esse quilómetro na «vida» desse lugarejo!

Negam-lho, e a “ ilha “ vai morrendo.

E é muito triste ver acabar as coisas belas!...

Há quatro séculos abrimos rotas para as Índias e as Américas; abrimos as “ picadas “ nos sertões de África!

E já no limiar do século XXI não rasgamos uma estrada de 1 km. Para melhorarmos os caminhos que vão dar á nossa porta!

Ah! Bom Velho do Restelo!

Se soubesses, gostarias, por certo, de vir morrer a esta “ Ilha dos Lagartos “, a esta aldeia esquecida que foi “ Quinta dos Mouros “, gostarias de te despedir da vida neste pedacinho de céu que é a GRANJINHA!

 

 

Porto, 5 de Abril de 1970

Luís da Granjinha”

Luís Fernandes

 

                                                                                                                          de "A Minha Aldeia" - 2008

                                                                                                                                   Luís da Granjinha

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